
Capitão de participante da Copa do Mundo se dirige ao país de origem e aponta para jogador do PSV: “Eu não ousava olhar”
1 min de leituraA Bósnia-Herzegovina prepara-se, com o jogador do PSV Esmir Bajraktarevic, para a segunda participação no Mundial de futebol. Os bósnios conseguiram surpreender amigos e adversários em 31 de março ao resolverem, nas eliminatórias da final, contra a Itália tetracampeã após grandes penalidades.
Aan Bajraktarevic coube a honra de manter a cabeça fria e marcar o pênalti da vitória. O ala fez jus à calma e soube levar o seu país ao Mundial na América do Norte, onde Bajraktarevic & co. vão jogar no Grupo B contra o coorganizador Canadá, a Suíça e o Qatar.
Capitão Edin Dzeko, já com quarenta anos e atuando no FC Schalke 04, escreveu uma carta às crianças do país dos Bálcãs. Dzeko também já esteve ativo na Copa do Mundo em 2014 com a Bósnia, onde a fase de grupos foi o ponto final, em parte devido a um gol do atacante indevidamente anulado na partida contra a Nigéria.
Na carta que o capitão escreve às crianças bosnias, Dzeko conta, entre outras coisas, sobre a sua juventude, que é sobretudo marcada pela guerra no antigo território da Jugoslávia, e sobre o desenrolar da sua carreira de futebol. ''Queridas crianças da Bósnia e Herzegovina, eu tenho apenas uma mensagem: nada é impossível. Nããts. Temos a sorte de sermos bósnios. Eu digo isso não só como um homem que viveu o seu sonho, mas também como um menino que sobreviveu à guerra. Eu não gosto de falar sobre o cerco de Sarajevo, mas é importante que vocês entendam como foi'', escreve Dzeko no The Players' Tribute.

Depois, o avançado do FC Schalke 04 entra nas suas experiências durante a guerra na Jugoslávia, onde Dzeko, com a sua família, teve de ficar dentro de casa e, entre outras coisas, brincou com jogos de tabuleiro. ''Eu tinha seis anos quando tudo começou. Lembro-me das primeiras sirenes, de que a minha mãe me pegou e de que nos abrigámos atrás do armário dos sapatos. Esse foi o dia um. Foi assim durante quatro anos. Nós não compreendíamos tudo, mas tínhamos medo todos os dias. Quando a nossa casa ficou demasiado insegura, fomos para o apartamento dos meus avós. Acho que eram quarenta metros quadrados. Vivíamos lá quinze pessoas. Toda a gente dormia no chão. Às vezes, quando parecia que estava tudo calmo, a mama abria a porta da frente e eu brincava com as outras crianças do bairro. Nunca vou esquecer o olhar dela. Aquele sorriso pateta porque ela gostava de me ver a brincar, mas nos olhos dela também havia a preocupação de que eu talvez já não voltasse'', continua o avançado.
No fim, Dzeko conseguiu sobreviver à guerra juntamente com a sua família e, por isso, o sonho de futebol do avançado começou também bastante tarde. ''Sobrevivemos. Fico impressionado com o quão fortes éramos; éramos apenas crianças pequenas. Mas a guerra foi inútil. Toda aquela gente inocente morreu, e por quê? Por dinheiro, poder e ego. Para nada, portanto. Fico enjoado quando, hoje em dia, vejo a guerra nas notícias. Quero nunca ver isso, em lugar nenhum. Mas os adultos nunca aprendem. Parecia tão impossível que nem sequer sonhava com isso. Os campos de relva que você vê agora tinham sido queimados. Eu treinava numa sala de esportes. Depois de meses, o chão foi limpo; começaram a pintar linhas brancas nos campos de terra chamuscada. Eu treinava e esperava, um dia, alcançar o primeiro lugar no meu clube local, Zeljeznicar. Quando eu tinha dezenove anos, um treinador me levou para a Chéquia. Eu estava, de repente, em Teplice'', recorda ainda com muita clareza o capitão da Bósnia.
Em seguida, o atacante segue falando sobre o restante do seu percurso na carreira. ''Me compraram por 25.000 euros. Dois anos depois fui para o VfL Wolfsburg. Depois, por 37 milhões, para o Manchester City, e para a AS Roma. Cresci em meio à guerra; agora eu vivo um conto de fadas. Nada é impossível. Nem mesmo com a Bósnia para a Copa do Mundo. A primeira qualificação, em 2014, foi o dia mais bonito da nossa vida. Não nos correu bem na Copa do Mundo, mas agora estamos de volta'', disse Dzeko.
Por fim, o capitão olha novamente para a final dos play-offs contra a Itália, na qual também é mencionado o jogador do PSV Esmir Bajraktarevic. ''Eu estava tão com medo de Gianluigi Donnarumma. Esse cara é tão grande. Eu não precisava cobrar pênalti; eu estava lesionado. Felizmente, nossos jovens sabem como se faz. Eles não pensam demais, como nós, veteranos. Quando Esmir Bajraktarevic marcou o pênalti decisivo, eu não tive coragem de olhar. Sergej Barbarez, o selecionador, também não. Aí ouvi a explosão de alegria. Nosso país vai de novo ao Mundial. E lembrem: vocês são bósnios. O mundo está aos vossos pés. Eu amo vocês. Edin'', encerra o atacante sua carta.



Comentários3
O Dzeko até brinca com a diferença entre "veteranen" e "jonkies". Na prática, o Bajraktarevic foi daqueles que não pensa demais e só executa. Isso é exatamente o que o PSV gosta de ver no processo de formação.💪
"durfde niet te kijken" é brutal haha, imagino o pânico quando já tens o Donnarumma ali. Mas pronto, é aí que a cabeça dos jovens mete tudo no lugar. 🔥⚽
Esmir Bajraktarevic a fazer o papel de herói com a calma toda... essa frase do Dzeko